A impulsividade é uma das características centrais do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).
Para uma criança, a dificuldade em “parar para pensar” antes de agir pode se manifestar em explosões emocionais, interrupções constantes, dificuldades em esperar a vez e reações exageradas a frustrações, o que chamamos de crises de impulsividade.
Esses momentos são desafiadores tanto para a criança, que luta contra a dificuldade de autorregulação, quanto para os pais, que muitas vezes se sentem esgotados e sem saber como reagir.
Como psicóloga, entendo que a resposta parental não deve ser a punição, mas sim a orientação e a estrutura.
O nosso papel é fornecer as ferramentas externas que a criança ainda está aprendendo a desenvolver internamente.
Abaixo, apresentamos 5 estratégias parentais fundamentais para transformar as crises de impulsividade em momentos de aprendizado e conexão.
1. Crie o “Kit de Prevenção e Previsibilidade”
A melhor crise é aquela que não acontece. A impulsividade é intensificada pelo caos e pela incerteza. A rotina estruturada, da qual já falamos, é o primeiro passo.
Evite Gatilhos: Identifique os momentos ou ambientes que mais desencadeiam a impulsividade (ex: fome, cansaço, excesso de estímulos, transições abruptas) e atue preventivamente.
Use Antecipação: Para crianças com TDAH, o futuro é agora. Avise-a sobre o que está por vir com antecedência e clareza. Use frases como: “Em 5 minutos, o tablet vai descansar, e em 10, vamos ler um livro.”
2. Ensine o “Poder da Pausa” (Stop-Think-Act)
A criança impulsiva age antes que o córtex pré-frontal (a área do planejamento) possa processar a informação. O objetivo é criar uma ponte neural entre o impulso e a ação.
Sinal de Parada: Crie um sinal físico ou verbal combinado (ex: mão aberta, a palavra “PARE”, ou “Respire”). Este sinal deve ser praticado fora do momento de crise, como em uma brincadeira.
Respire: Ensine a técnica de “Respiração Quadrada” (inspirar por 4, segurar por 4, expirar por 4, segurar por 4). A respiração diafragmática ajuda a ativar o sistema nervoso parassimpático, acalmando o corpo antes que o impulso tome conta.
3. Use a Comunicação Calmante (e Evite o Contágio)
Durante a crise, a impulsividade da criança pode facilmente contagiar o adulto, elevando a voz e o nível de frustração mútua.
Tom de Voz Baixo e Lento: Fale baixo e devagar. Isso obriga a criança a se concentrar em você (o que já ajuda no foco) e não eleva o calor emocional da situação.
Validação Emocional: Comece reconhecendo o sentimento, mesmo que a reação tenha sido inadequada. “Eu vejo que você está muito brava(o) porque o jogo acabou. É frustrante. Mas bater não é permitido.”
Comandos Curtos: Use poucas palavras. O cérebro em crise tem dificuldade de processar frases longas e complexas.
4. Implemente o Reforço Positivo Imediato
As crianças com TDAH respondem de forma extraordinária a feedbacks imediatos. Como a memória de trabalho é um desafio, o elogio precisa ser dado no momento da ação correta.
Elogie o Processo, Não o Resultado: Reforce a tentativa de controlar o impulso, e não apenas o sucesso. Ex: “Você ficou com muita raiva, mas conseguiu usar o seu sinal de ‘PARE’ antes de gritar. Isso é muito difícil, parabéns pelo seu esforço!”
Recompensas Simbólicas: Use sistemas de recompensas visuais (como adesivos, fichas ou contagem de pontos) que possam ser trocadas por privilégios no final do dia ou da semana. O intervalo entre a boa conduta e a recompensa deve ser o menor possível.
5. O Canto da Calma (e Não da Punição)
Crie um espaço seguro e acolhedor em casa, diferente do quarto ou do lugar de castigo, para onde a criança pode ir quando precisar se acalmar.
Autonomia: Incentive a criança a usar o canto por conta própria. “Eu vejo que você está ficando agitado(a). Você pode ir para o Canto da Calma e voltar quando estiver pronto para conversar.”
Recursos de Autorregulação: O canto deve ter recursos que ajudem a criança a se reorganizar: bola anti-estresse, livros, giz de cera, massinha ou fones de ouvido para reduzir o ruído sensorial.
A consistência é a chave de ouro. Essas estratégias exigem paciência e repetição. Lembre-se que o desenvolvimento da autorregulação é uma maratona, não um sprint.
Se as crises de impulsividade estão desgastando a rotina familiar e você se sente perdido nas estratégias de manejo, a Psicoterapia e a Orientação Parental são ferramentas poderosas.
A Psicólogia pode te ajudar a entender o funcionamento do cérebro TDAH e a construir um plano de intervenção personalizado para a sua família.
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Indicações de Livros para Aprofundamento:
“O Reizinho Hiperativo: Um Guia para Pais, Professores e Profissionais de Saúde” de Gustavo Teixeira: Foco em estratégias práticas e diretas para o manejo dos sintomas de hiperatividade e impulsividade em casa e na escola.
“TDAH Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade: Desafios, Possibilidades e Perspectivas Interdisciplinares” de Edyleine Bellini Peroni Benczik: Oferece uma visão ampla e científica, com orientações claras para o tratamento e o dia a dia.



