Comunicação Não-Violenta Falando com Seu Filho TDAH sem Gritaria ou Punição

Se a rotina com seu filho com TDAH tem sido marcada por conflitos, repetições de ordens e, ocasionalmente, momentos de gritaria e frustração mútua, saiba que existe um caminho mais leve e eficaz.

Para pais de crianças que lidam com desatenção e impulsividade, a Comunicação Não-Violenta (CNV), proposta por Marshall Rosenberg, não é apenas uma técnica; é uma ferramenta de sobrevivência e de construção de vínculos.

A CNV nos ensina a sair do ciclo de culpa e punição, focando nas necessidades por trás do comportamento.

Para o TDAH, isso é revolucionário, pois o comportamento disruptivo é quase sempre um sinal de que uma necessidade seja de atenção, de previsibilidade ou de controle não está sendo atendida.

 

O Ciclo Vicioso da Comunicação no TDAH

O cérebro TDAH tem dificuldades em processar informações emocionais e verbais sob estresse.
Quando um adulto grita ou critica, a criança entra em modo de defesa, ativando a amígdala (o centro do medo).
Nesse estado, ela não consegue acessar o córtex pré-frontal, que é a área da razão e da obediência.
Ou seja, a bronca alta não é apenas ineficaz, ela é contraproducente.

A CNV propõe uma ponte de quatro passos para transformar a comunicação:

1. Observação: Descreva sem Julgar
O primeiro passo é separar o que você vê do que você julga.
O julgamento (“Você é bagunceiro”, “Você é desatento”) ataca a identidade e gera resistência.
A observação foca no fato específico.
Em vez de: “Você nunca me escuta!” Diga: “Eu observei que, quando pedi para guardar os sapatos, você estava no chão montando blocos.”

2. Sentimento: Assuma sua Emoção
O segundo passo é expressar o seu próprio sentimento em relação àquela observação.
É fundamental assumir a responsabilidade pela sua emoção (“Eu sinto…”) em vez de atribuí-la à criança (“Você me faz sentir…”).
Em vez de: “Você me deixa furioso!” Diga: “Eu me sinto frustrada (ou ansiosa) porque já estamos atrasados.”

3. Necessidade: Identifique o Que Está Faltando
O terceiro passo é o coração da CNV.
O seu sentimento (frustração) está ligado a uma necessidade sua que não foi atendida.
Ao expressar essa necessidade, você modela a autorreflexão. Diga: “Eu me sinto frustrada porque tenho necessidade de ordem e de cumprir meus compromissos (ou necessidade de cooperação).”

4. Pedido: Faça uma Solicitação Clara e Positiva
O último passo é fazer um pedido específico, positivo e acionável (algo que a criança pode fazer).
Evite pedidos vagos ou que exijam que ela pare de fazer algo.
Em vez de: “Pare de bagunça e faça o que eu mandei!” Diga: “Você poderia, por favor, agora deixar os blocos, ir até o armário e guardar os sapatos? Você pode voltar aos blocos assim que terminar.”

A CNV no TDAH: Construindo Conexão

A prática constante da CNV faz mais do que acalmar o ambiente.
Ela ensina a criança com TDAH, por modelagem, a nomear suas próprias emoções e necessidades, uma habilidade essencial para o desenvolvimento da autorregulação.
Você está trocando a punição (que só causa medo) pela conexão (que ensina responsabilidade).

 

Implementar a CNV, especialmente em contextos desafiadores como o TDAH, exige prática e apoio.

Se você deseja transformar o diálogo em sua casa e construir um relacionamento mais harmonioso e funcional com seu filho, a psicoterapia e a orientação parental são seus maiores aliados.

Agende sua consulta comigo e comece a falar a linguagem da conexão e do entendimento!

 

Indicações de Livros para Aprofundamento:

“Comunicação Não-Violenta: Técnicas para Aprimorar Relacionamentos Pessoais e Profissionais” de Marshall B. Rosenberg: O livro fundamental que detalha os quatro passos da CNV.

“O Reizinho Hiperativo: Um Guia para Pais, Professores e Profissionais de Saúde” de Gustavo Teixeira: Oferece estratégias práticas de manejo do TDAH que se alinham perfeitamente com a CNV.

“Disciplina Positiva” de Jane Nelsen: Ensina a ser firme e gentil ao mesmo tempo, focando na resolução de problemas e na cooperação, princípios que complementam a CNV.

“Mães e Filhos: O Poder da Relação” de Donald Winnicott: Embora não seja sobre CNV, explora o conceito de “mãe suficientemente boa”, reforçando a importância da autenticidade e da validação emocional do adulto.