A infância é uma fase de descobertas maravilhosas, mas também de grandes turbulências emocionais.
É comum que as crianças expressem raiva, tristeza e frustração com grande intensidade, o que pode ser desafiador para os pais e cuidadores.
O motivo é simples, a criança sente mas ainda não possui as ferramentas cognitivas para nomear, entender e regular essas emoções.
Como psicóloga meu papel é mostrar que o objetivo não é eliminar os sentimentos “negativos”, eles são essenciais! Mas sim ensinar a criança a lidar com eles de forma saudável.
Esse processo se chama Inteligência Emocional e é um dos maiores presentes que podemos dar a nossos filhos.
A Lição Mais Importante: Validar, Não Reprimir
Muitas vezes, nossa primeira reação à birra ou ao choro intenso de uma criança é tentar parar o sentimento, “Para de chorar”!
“Isso não é motivo para raiva!”, “Você está exagerando!”.
A Neuropsicologia nos mostra que, ao fazer isso, estamos ensinando a criança a reprimir ou a ter vergonha do que sente.
O primeiro passo para o desenvolvimento emocional é a validação.
Nomeie o Sentimento: Ajude a criança a colocar um nome no que ela sente. “Eu vejo que você está muito brava porque o brinquedo quebrou.” “Você está triste porque o vovô foi embora.”
Valide o Sentimento: Deixe claro que o sentimento é aceitável, mesmo que o comportamento não seja. “Tudo bem sentir raiva, meu amor. A raiva é normal, mas não podemos bater.”
Use a Empatia: Conecte-se com a emoção dela. “Eu sei que é frustrante quando a gente não consegue o que quer. Eu também me sinto frustrada às vezes.”
Estratégias Práticas para Ensinar a Regulação Emocional
Uma vez que a criança sabe o que sente, o próximo passo é ensinar o que fazer com esse sentimento.
Aqui estão algumas técnicas que utilizo na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) Infantil e que podem ser aplicadas em casa:
O Canto da Calma (ou do Sentimento): Crie um espaço neutro e aconchegante na casa, com almofadas e talvez livros sobre emoções.
Quando a emoção for muito intensa, incentive a criança a ir para esse local para se acalmar, não como punição, mas como refúgio.
O Semáforo das Emoções: Use a metáfora do semáforo para ensinar a pausa: Vermelho (Pare! Respire! Sinta a emoção), Amarelo (Pense! Qual o problema? Como resolver?), e Verde (Aja! Escolha uma solução calma).
Técnicas de Respiração Lúdicas: Ensine a respirar fundo com jogos divertidos, como a “Respiração da Flor e da Vela”: cheirar a flor (inspirar fundo) e soprar a vela (expirar lentamente).
A respiração é a ponte entre a emoção e o controle.
Resolução de Problemas: Quando a criança estiver calma, sente-se com ela para pensar em soluções para o problema que gerou a emoção.
Isso a ensina a ir do descontrole à ação construtiva.
Lidar com as emoções na infância é um processo contínuo de aprendizado, e os pais são os principais modelos.
Ao cuidar da sua própria regulação emocional, você ensina de forma mais eficaz.
Se você sente dificuldade em ajudar seu filho a lidar com as emoções ou percebe que as reações dele estão muito intensas, a psicologia pode ser o suporte que sua família precisa.
Estou aqui para oferecer as ferramentas e o entendimento sobre o desenvolvimento emocional do seu filho.
Agende uma consulta comigo pelo WhatsApp disponível no site.
Vamos juntos construir um futuro emocionalmente saudável para seu filho.
Indicações de Livros:
“O Monstro das Cores” de Anna Llenas: Um livro infantil lúdico e visualmente incrível que ajuda a criança a nomear e organizar diferentes emoções, associando cada uma a uma cor.
“O Cérebro da Criança” de Daniel Siegel e Tina Payne Bryson: Essencial para pais, explica o desenvolvimento cerebral das crianças e oferece estratégias práticas baseadas na neurociência para lidar com as birras e os desafios emocionais.
“Tenho Monstros na Barriga” de Tônia Casarin: Um livro que utiliza a metáfora dos “monstros” para ajudar a criança a identificar e a entender a origem de sentimentos como alegria, medo, raiva e ciúmes.
“Como Falar Para Seu Filho Ouvir e Ouvir Para Seu Filho Falar” de Adele Faber e Elaine Mazlish: Um guia clássico que oferece técnicas de comunicação empática, fundamentais para validar os sentimentos da criança e construir um diálogo aberto.



