Funções Executivas O Que São e Como Desenvolvê-las no Seu Filho

Se você já se pegou perguntando por que seu filho tem dificuldade em começar uma tarefa, em manter o foco ou em controlar uma reação de raiva, a chave para a resposta está em um conjunto de habilidades cerebrais conhecido como Funções Executivas (FEs).

As FEs não são um conhecimento acadêmico, mas sim as habilidades de autogestão essenciais para o sucesso na vida.
Elas agem como o “maestro” do cérebro, permitindo-nos planejar, priorizar, controlar impulsos e mudar o foco.

Como psicóloga, considero o desenvolvimento dessas funções um dos pilares mais importantes da educação.

Os Três Pilares das Funções Executivas

As FEs são desenvolvidas ao longo da infância e adolescência e podem ser divididas em três categorias principais:

Flexibilidade Cognitiva: É a capacidade de mudar o foco ou o curso de ação em resposta a novas informações ou regras. Ajuda a criança a se adaptar quando um plano não funciona ou quando a brincadeira muda.

Controle Inibitório: É a habilidade de controlar os impulsos (comportamentos, pensamentos ou emoções) para resistir a uma tentação e fazer o que é necessário. É o que permite à criança esperar a vez ou não interromper uma conversa.

Memória de Trabalho: É a capacidade de reter e manipular informações por um curto período de tempo para executar uma tarefa. É o que permite à criança seguir instruções de várias etapas ou calcular mentalmente.

O desenvolvimento dessas habilidades é crucial e está intimamente ligado ao amadurecimento do Córtex Pré-Frontal, a área mais “recente” e complexa do nosso cérebro.

Como Desenvolver as Funções Executivas no Dia a Dia

A Neurociência nos ensina que as FEs não se desenvolvem sozinhas; elas são fortalecidas por meio de atividades desafiadoras e estruturadas.

Os pais têm um papel ativo e lúdico nesse desenvolvimento:

1. Para o Controle Inibitório:
Jogos de Regras: Jogos como “Vivo ou Morto”, “Estátua” ou jogos de tabuleiro (que exigem esperar a vez) são excelentes “academias” para o controle.

Tempo de Espera: Ensine a criança a “esperar o verde” para falar ou a aguardar um minuto quando sentir uma raiva intensa.

2. Para a Flexibilidade Cognitiva:
Mudança de Regras: Durante uma brincadeira simples, sugira mudar a regra de repente (“Agora o vermelho significa ‘pode’ e o verde significa ‘pare'”).

Resolução de Problemas: Envolva a criança na busca por soluções quando o plano original falha. “O que podemos fazer agora que a massinha acabou? Temos argila ou tinta.”

3. Para a Memória de Trabalho:
Instruções de Múltiplas Etapas: Comece com dois passos e vá aumentando. “Vá ao quarto, pegue a blusa azul e traga para a sala.”

Jogos de Memória e Quebra-Cabeças: Estes jogos são clássicos porque exigem reter a localização de peças e manipular mentalmente as imagens para encaixe.

Lembre-se: o objetivo não é a perfeição, mas sim o esforço e a consistência no treino.
A paciência e a validação são fundamentais, especialmente se seu filho lida com condições como o TDAH, que desafiam diretamente essas funções.

 

Se você deseja avaliar e fortalecer as Funções Executivas do seu filho de forma estratégica, a Avaliação Neuropsicológica e o acompanhamento psicológico são os caminhos mais eficazes.

Estou aqui para te ajudar a entender o mapa cerebral do seu filho e a fornecer as ferramentas necessárias para que ele floresça.

Agende uma consulta com a Psicóloga Gabriela Paixão e invista no futuro de autogestão do seu filho.

 

Indicações de Livros para Aprofundamento:

“O Cérebro da Criança” de Daniel Siegel e Tina Payne Bryson: Explica o desenvolvimento do cérebro, incluindo as FEs, e oferece estratégias parentais baseadas na neurociência.

“Smart but Scattered (Esperto, mas Bagunceiro)” de Peg Dawson e Richard Guare: Oferece um guia prático para pais e professores sobre como identificar e intervir nas fraquezas das funções executivas.

“A Mente Organizada: Como Pensar Claramente no Mundo da Sobrecarga de Informação” de Daniel J. Levitin: Embora focado em adultos, oferece uma base sobre a importância da organização cognitiva, aplicável a como ensinamos as crianças a gerenciar informações.