TDAH e Autoestima Como Elogiar o Esforço e Não Apenas o Resultado?

Para as crianças com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), a vida é frequentemente marcada por uma enxurrada de correções e críticas.

Devido às dificuldades com foco, organização e impulsividade, elas tendem a ouvir mais “Preste atenção!”, “Por que você não terminou?” ou “De novo você perdeu isso?”.

Essa repetição de feedbacks negativos mina a autoestima, levando a criança a internalizar a crença de que ela é “incapaz” ou “problemática”.

Meu papel, como psicóloga, é mostrar aos pais que a chave para reverter esse quadro está em mudar a forma como elogiamos, focando no esforço e não apenas no resultado final.

O Elogio Focado no Resultado é uma Armadilha

Um elogio baseado apenas no resultado (“Parabéns, você tirou 10!”) pode ser perigoso, especialmente para o cérebro TDAH, que luta tanto para manter a consistência.

Gera Pressão: Se o valor da criança está na nota máxima ou na perfeição, ela desenvolve medo de falhar e pode evitar tarefas desafiadoras.

Ignora o Processo: O elogio não reconhece o enorme gasto energético que a criança com TDAH teve para simplesmente começar ou manter o foco.

Reforça a Mentalidade Fixa: Ensina que a capacidade é um talento fixo, e não algo que se desenvolve com o trabalho.

A Psicologia do Elogio no TDAH: Foco no Esforço

A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e a pesquisa sobre Mindset (Mentalidade) da Dra. Carol Dweck defendem que o elogio ao esforço é o que constrói a resiliência e a mentalidade de crescimento (ou Growth Mindset).

Para a criança com TDAH, isso é vital, pois ensina que o caminho e a dedicação são mais importantes do que o destino.

Como Elogiar o Esforço de Forma Específica

Destaque a Ação (o Verbo): Seja específico sobre o que você notou que ela fez, e não sobre quem ela é.
Em vez de: “Você é inteligente.” Diga: “Eu vi o quanto você se concentrou para não se levantar durante a lição de casa. Isso exige muita força de vontade!”

Valide a Dificuldade: Reconheça o esforço extra que ela teve que fazer, validando a luta.
Em vez de: “Finalmente você terminou!” Diga: “Sei que foi muito difícil organizar todos aqueles passos da rotina hoje, mas você perseverou! Isso é ser esforçado(a)!”

Foque na Estratégia, Não no Dom: Isso reforça a ideia de que o sucesso é fruto de uma escolha de comportamento.
Em vez de: “Sua letra está linda.” Diga: “Usar a lista visual para arrumar a mochila foi uma ótima ideia. Você encontrou uma excelente estratégia para não esquecer nada.”

Elogie a Repetição: Elogie a consistência, mesmo quando o resultado não é perfeito.
Diga: “Você não conseguiu esperar a sua vez hoje, mas da última vez, você conseguiu esperar por 5 minutos. Vamos tentar superar isso amanhã!”

Ao focar no esforço, você está ensinando a seu filho que o cérebro dele é capaz de mudar (Neuroplasticidade) e que o erro não é um fracasso, mas sim uma informação valiosa para a próxima tentativa.

Você está construindo uma autoestima sólida, baseada na competência e na coragem de tentar.

 

Mudar a forma de elogiar é uma das estratégias de Orientação Parental que mais transformam o ambiente familiar.

Se você deseja aprender a construir a autoestima do seu filho com TDAH de forma eficaz e amorosa, estou aqui para te guiar.

Agende sua sessão e comece a criar um ciclo de sucesso e autoconfiança na vida do seu filho!

 

Indicações de Livros para Aprofundamento:

“Mindset: A Nova Psicologia do Sucesso” de Carol S. Dweck: Essencial para entender o poder da mentalidade de crescimento e por que focar no esforço é mais eficaz do que focar no talento.

“O Reizinho Hiperativo: Um Guia para Pais, Professores e Profissionais de Saúde” de Gustavo Teixeira: Oferece estratégias práticas de manejo, incluindo a importância do feedback positivo específico no TDAH.

“Disciplina Positiva” de Jane Nelsen: Ensina a ser firme e gentil ao mesmo tempo, focando em encorajar o comportamento e construir a autoconfiança da criança.

“O Cérebro da Criança” de Daniel Siegel e Tina Payne Bryson: Ajuda a entender a importância de validar as emoções da criança, o que é crucial antes de oferecer qualquer elogio ou correção.